16 de dezembro de 2016

Mayara Rosa Gonçalves

A lisina é considerada um aminoácido fisiologicamente essencial para manutenção, crescimento e produção de suínos e aves e tem como principal função a síntese de proteína muscular. Ela é considerada essencial porque é sintetizada pelo organismo em pequenas quantidades, que não atendem à necessidade do animal, o que torna necessária a ingestão de proteína intacta do alimento ou de fontes sintéticas como a L-lisina HCl (ROCHA et al., 2009).

As matérias primas ricas em carboidratos, como o milho, sorgo, trigo, triticale, milheto, farelo de arroz e outros são deficientes em lisina, 0,20 a 0,40% na matéria natural e representam o ingrediente de maior inclusão na dieta de suínos e aves. O farelo de soja, que representa a fonte protéica mais utilizada nestas dietas, possui níveis de lisina altos, 2,6 a 3,0% (JORNAL NOSSA TERRA, 2011[?]).

Segundo Waldroup et al. (1976) apud Neme et al. (2001) o desequilíbrio nutricional de uma ração pode ocasionar prejuízos ao desempenho dos animais. O desbalanço de aminoácidos, resulta em vários problemas sendo um deles a relação existente entre aminoácidos antagônicos, como lisina e arginina. O antagonismo entre aminoácidos é uma interação que envolve os aminoácidos estruturalmente semelhantes, sendo que o excesso de um eleva a exigência do outro (AUSTIC, 1985 apud NEME, 2001).

Atualmente recomenda-se formular rações a partir do conceito de proteína ideal, que é definido pelo balanço, teoricamente exato, de aminoácidos para o atendimento das nessecidades de aves e suínos, sem excessos ou deficiências, e com desvios mínimos dos aminoácidos essenciais para produção de energia, síntese de aminoácidos não essenciais e catabolismo, melhorando o custo-benefício com a  formulação de rações e reduzindo a poluição ambiental com o nitrogênio excretado (FIRMAN E BOLING, 1998 apud ROCHA, 2006). Nesse conceito um aminoácido é usado como referência (lisina), e a relação entre os aminoácidos é determinada dividindo o valor de exigência encontrada para os diferentes aminoácidos pelo valor de exigência de lisina (TEJEDOR, 2002 apud ROCHA, 2006).

Rostagno (2000) apud Fontes et al. (2005), recomenda níveis de 1,06 e 1,28% como exigência de lisina para suínos de médio e alto potencial genético para deposição de carne magra, dos 15 aos 30 kg, respectivamente. O NRC (1998), em sua mais recente publicação, informou a exigência de lisina para suínos de 50 a 80 e 80 a 120 kg como sendo de 0,75 e 0,60%, respectivamente (MOREIRA et al., 2002) .

Para frangos de corte, a exigência de lisina (1,1%) para aves de 0 a 3 semanas  de   idade sugerido pelo NRC (1994) é adequado para obter o máximo crescimento e bom consumo alimentar, mas o nível de 1,07% de lisina digestível (1,17% total) é exigido para maximizar a conversão alimentar (KNOWLES et al., 1997 apud ROCHA, 2001).  Rostagno (1998) apud Rocha (2001), estimaram uma exigência média de 1,198% de lisina para a fase de 1 a 21 dias de idade, Mack et al. (1999) apud Rocha (2001) afirmam que de 20 a 40 dias foi de 1,22% para lisina total (1,15% de lisina digestível).

Diversos trabalhos sobre adição de aminoácidos na dieta com relação ganho de peso e conversão alimentar em suínos e aves se mostraram positivos (PAIANO, 2007; COSTA et al., 2001; MOREIRA, 2002; FONTES et al., 2005). Trabalhos também indicam melhora na qualidade dos ovos de poedeiras alimentadas com a adição de lisina na dieta (CUPERTINO, 2006; NOVAK E SCHEIDELER, 2004).

REFERÊNCIAS

COSTA, F.G.P. et al. Níveis Dietéticos de Lisina para Frangos de Corte de 1 a 21 e 22 a 40 Dias de Idade. Revista Brasileira de Zootecnia, Viçosa, 30(5):1490-1497, 2001.

CUPERTINO, E.S.  Exigência de aminoácidos digestíveis (lisina, aminoácidos sulfursos e treonina) para poedeiras leves e semipesadas no período de 54 a 70 semanas de idade. Viçosa, MG. Universidade Federal de Viçosa, 2006. 110p. Dissertação (Doutorado em Zootecnia) – Universidade Estadual de Viçosa, 2006.

FONTES, Dalton de Oliveira et al . Níveis de lisina para leitoas selecionadas geneticamente para deposição de carne magra na carcaça, dos 15 aos 30 kg. R. Bras. Zootec.,  Viçosa,  v. 34,  n. 1, Fev.  2005 .   Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-35982005000100012&lng=en&nrm=iso>. Acesso em  16  Ago.  2011.

Jornal Nossa Terra. Lisina industrial otimiza a nutrição e reduz custos. Disponível em: < HYPERLINK “http://www.zoonews.com.br/noticias2/noticia.php?idnoticia=4656” http://www.zoonews.com.br/noticias2/noticia.php?idnoticia=4656> acesso em 15 Ago. 2011.

MOREIRA, Ivan et al . Exigência de Lisina para Machos Castrados de Dois Grupos Genéticos de Suínos na Fase de Terminação, com Base no Conceito de Proteína Ideal. Rev. Bras. Zootec.,  Viçosa,  v. 31,  n. 1, Fev.  2002 .   Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-35982002000100011&lng=en&nrm=iso>. acesso em  16  Ago.  2011.

NEME, Rafael et al . Determinação da Biodisponibilidade da Lisina Sulfato e Lisina HCl com Frangos de Corte. Rev. Bras. Zootec.,  Viçosa,  v. 30,  n. 6,  2001 .   Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-35982001000700013&lng=en&nrm=iso>. acesso em 15 Ago.  2011.

NOVAK, C.; YAKOUT, H., SCHEIDELER, S. The combined effects of dietary lysine and total sulfur amino acid level on egg production parameters and egg components in dekalb delta laying hens. Poultry Science. V. 83, p. 977-984, 2004.

PAIANO, D. Relações treonina:lisina digestíveis e níveis de energia líquida para suínos. Maringá, PR. Universidade Estadual de Maringá, 2007. 89p. Dissertação (Doutorado em Zootecnia) – Universidade Estadual de Maringá, 2007.

ROCHA, Talita et al. Níveis de lisina digestível em rações para poedeiras no período de 24 a 40 semanas de idade. Ver. Bras. Zootec., Viçosa, v.38, n.9, p.1726-1731, 2009. Disponível em: < HYPERLINK “http://www.scielo.br/pdf/rbz/v38n9/12.pdf” http://www.scielo.br/pdf/rbz/v38n9/12.pdf> acesso em 15 Ago. 2011.

ROCHA, T. Níveis de lisina digestível em rações para poedeiras leves no período de produção. Viçosa, MG. Universidade Federal de Viçosa, 2006. 72p. Dissertação (Pós-guaduação em Zootecnia) – Universidade Estadual de Viçosa, 2006.