16 de dezembro de 2016

Mayara Rosa Gonçalves

 

Mastite, ou inflamação da glândula mamária, é a doença mais comum e mais cara do gado leiteiro. Apesar de estresse e ferimentos físicos também causarem inflamação da glândula, infecção por bactérias invasivas e outros microorganismos (fungos e possivelmente vírus) é a principal causa de mastite (TOZZETTI et al., 2008). Os impactos econômicos surgem através da queda na produção leiteira, perda na qualidade do leite, maior custo de produção e o descarte prematuro de vacas por perda de um ou mais quartos mamários, que se tornam fibrosos e improdutivos. Sua magnitude varia conforme a intensidade do quadro e o agente causador  (NETO, 2010).

Um importante conceito na compreensão da mastite é que esses patógenos são agrupados em duas categorias: as bactérias contagiosas, as quais são disseminadas dos quartos infectados para outros quartos e entre animais, e as bactérias ambientais, que são as mais comumente existentes nas propriedades (BRENDER & LOPEZ, 2010).

Alguns fatores que predispõe os animais a mastite são: falta de higiene durante a ordenha, defeitos nas ordenhadeiras, má administração do sistema de ordenha, ferimentos nos tetos,irritação dos tetos, e alta carga de patógenos no ambiente (desafio elevado).

Existem algumas formas de detecção como: a contagem de células somáticas, exame físico do úbere, aparência do leite,  Califórnia mastite teste (CMT) e cultura bacteriana (TOZZETTI et al., 2008).

Segundo Neto (2010), os casos de mastite podem apresentar três situações: 

– Mastites Clínicas: há evidência de sintomas inflamatórios e claras alterações na secreção do leite (aspecto e quantidade). O tratamento deve ser feito imediatamente, tanto por via intramamária como sistêmica, sendo esta última recomendada para a entrada das bactérias na corrente sangüínea. Este quadro apresenta os sintomas como: presença de calor, rubor, edema, dor e perda da função do órgão afetado. Paralelamente, observa-se ainda: perda do apetite, respiração acelerada, queda na produção, desidratação, fraqueza, alterações no leite, depressão, etc;

– Mastites Subclínicas: não há inflamação da glândula mamária com reduzida ou nenhuma variação na qualidade do leite, porém queda na produção. Pode passar desapercebida do produtor. A opção pelo tratamento depende da % de perda em curso e o valor da produção. Recomenda-se tratar no período seco, pois o sucesso do tratamento é maior, já que o produto fica atuando por um maior período de tempo na glândula mamária. Rebanhos com um controle de mastite eficaz, tem constantemente contagens abaixo de 100.000 cells/ ml. Ao contrário, contagens de células somáticas maiores que 500.000 cells/ ml, indica que um terço das glândulas mamárias estão infectadas e a perda  de leite devido a mastite subclínica é de pelo menos 10% (TOZZETTI, 2008);

– Crônica: é a manutenção da fase subclínica ou a ocorrência alternada desta com a forma clínica. É comum a perda definitiva da função do quarto mamário devido à fibrose tecidual. Geralmente os animais devem ser eliminados, pois são portadores e fontes de contaminação da demais vacas.

Segundo Philpot & Nickerson (1991) apud Tozzetti (2008), para cada caso clínico de mastite devem existir entre 15 a 40 casos subclínicos.

Para que se realize um programa de  prevenção e controle da mastite, Radotits et al. (2000), recomenda:

Uso adequado do método de manejo na ordenha;

Instalação correta e manutenção periodica dos equipamentos de ordenha;

Higienização de equipamentos e do úbere do animal com papel toalha;

Manejo do animal seco;

Boa nutrição para  manter a habilidade da vaca de lutar contra as infecções;

Alimentar as vacas imediatamente após a ordenha para que elas fiquem de pé por pelo menos uma hora antes de deitar;

Ordenhar as vacas infectadas por ultimo;

Terapia apropriada à mastite durante a lactação;

Descarte de vacas com infecção crônica;

Manutenção de um ambiente apropriado para bovinocultura leiteira;

Manutenção de um bom sistema de registro;

Monitoração do estado de saúde do úbere;

Revisões periódicas do programa de manejo e saúde do úbere. Que tem o objetivo de reduzir o nível de infecção do rebanho, os casos de mastite diminuem quando a velocidade de aparecimentos de novas infecções é menor do que a velocidade de eliminação das infecções existentes (TOZZETTI, 2008).

Juntamente com as práticas de manejo de ordenha está a suplementação mineral. Segundo Weiss (2005), as vacas precisam consumir quantidades adequadas de minerais (selênio, zinco e cobre) e vitaminas (A,D e E) para manter o status ótimo de antioxidantes, pois quando a capacidade antioxidante é limitada, a meia vida da célula imune é reduzida, levando ao aparecimento de uma infecção ou se esta já exixtir, pode tornar-se mais severa. A associação selênio-vitamina E é eficiente na redução da CCS e na redução da prevalência e severidade de mastite clínica.

A mastite também pode ser resultado de estresse elevado, como um manejo violento dos animais, o que leva a um desequilibrio na flora intestinal, assim as bactérias patogênicas penetram na corrente sanguínea até as glândulas mamárias, ocasionando a infecção. A suplementação diária com probióticos reduz os efeitos do estresse no trato gatrintestinal, reduzindo também os casos de mastite.

Referências Bibliográficas

BRENDER. J. LOPES. D. Mastite Bovina. 2010. Disponível em: <  HYPERLINK “http://equipeveterinariafv2010.blogspot.com/2010/04/mastite-bovina.html” http://equipeveterinariafv2010.blogspot.com/2010/04/mastite-bovina.html> Acesso em set de 2011.

NETO. O.A.P. Fundamentos da mastite bovina e seu impacto na produção. Milkpoint, 2010. Disponível em: <  HYPERLINK “http://www.milkpoint.com.br/anuncie/novidades-dos-parceiros/fundamentos-da-mastite-bovina-e-seus-impactos-na-producao-65933n.aspx” http://www.milkpoint.com.br/anuncie/novidades-dos-parceiros/fundamentos-da-mastite-bovina-e-seus-impactos-na-producao-65933n.aspx> Acesso em set de 2011.

TOZZETTI. D.S. et al. Prevenção, controle e tratamento das mastites bovinas – revisão de literatura. In: Revista Científica Eletônica de Medicina Veterinária. Ano VI, n.10, p. 1679-7353, 2008. Disponível em: < HYPERLINK “http://www.revista.inf.br/veterinaria10/revisao/edic-vi-n10-RL74.pdf” http://www.revista.inf.br/veterinaria10/revisao/edic-vi-n10-RL74.pdf> Acesso set de 2011.

WEISS, W. P. Antioxidant nutrients, cow health and milk quality. Penn State Dairy Cattle Nutrtion Workshop, p11-18, 2005.