Mayara Rosa Gonçalves
O programa de vacas secas é o início do próximo ciclo de lactação, e exerce grande influência na ocorrência de desordens metabólicas (cetose, deslocamento de abomaso, síndrome da vaca gorda e febre do leite), na mudança da condição corporal, no fornecimento de nutrientes necessários ao rápido crescimento do feto e na otimização da produção na próxima lactação. Desta forma, um correto programa de vacas secas resultaria em um adicional de 200 a 1400 litros de leite na lactação posterior (SANTOS et al., [2012]?).
Nesse período, o animal tem tempo de refazer toda a estrutura da glândula mamária e de renovar suas células, fazendo com que logo que se inicie uma nova lactação, esse animal possa ter uma alta produção de leite. Ele sai de dietas onde consumia muito concentrado e tinha ambiente de rúmen muito ácido, entrando em descanso (GESTEIRA, 2011).
As vacas que não passam por períodos de descanso não conseguem se recompor e acabam tendo uma produção de leite menor na lactação seguinte. Além disso, podem ocorrer comprometimentos de saúde, como o aumento de distúrbios metabólicos e até mesmo a dificuldade de produção desse animal após o parto (GESTEIRA, 2011).
É recomendado um período seco ou de descanso de 60 dias antes do parto, ressaltando que esta prática poderá representar uma perda na produção de leite corrente, mas na futura lactação, obtém-se maiores ganhos. Intervalos menores (<60 dias), não permite que a glândula mamária se refaça satisfatoriamente da lactação, sendo a próxima produção leiteira prejudicada.
No início do período seco o animal pode ser alimentado com maior quantidade de volumoso (pasto de boa qualidade, silagens ou fenos), no final do período seco onde ocorre um grande aumento no crescimento fetal, diminui o espaço ocupado pelos alimentos o que reduz o consumo de matéria seca em até 30%, predispondo o animal a um balanço energético negativo. Uma das medidas no final do período seco (aproximadamente 21 dias antes do parto), é aumentar a relação concentrado:volumoso, para compensar a ingestão reduzida de forragem.
Devemos ainda considerar que a imunidade das vacas é menor no período pré-parto e no início da lactação, onde o aparelho reprodutivo ainda se encontra aberto e as taxas de infecção de mastite são altas, com isso o fornecimento de vitamina E, zinco, cobre e selênio pode ser benéfico evitando problemas como mastite e retenção de placenta (SANTOS et al., [2012]?).
Segundo Soares Filho ([2012]?), a vaca seca deverá ganhar de 50 a 120 Kg de peso, para que haja um desenvolvimento fetal adequado e, para que a vaca adquira boas condições físicas, necessário à produção de leite para a próxima lactação. Um aumento de 1 Kg de peso na vaca, significa uma produção de 100 Kg de leite a mais durante o período de lactação.
No período seco, podem ocorrer problemas metabólicos nos animais. Nas três semanas finais de gestação, bem como nas três semanas após o parto, se concentram os maiores problemas com as vacas de leite. Aproximadamente 70% dos distúrbios acontecem nesse período. Isso ocorre devido à queda da imunidade do animal, ao balanço de hormônios e ao desgaste sofrido com o parto (GESTEIRA, 2011).
O manejo do período seco é considerado um elemento crucial nos programas de saúde do úbere. Foi estimado que pelo menos 8-12% dos quartos não submetidos a secagem tornar-se-ão infectados. A maioria dessas infecções só ficará evidente na lactação seguinte. A importância do período seco no início da lactação fica ainda mais evidente, quando se comparam os valores das CCS do último teste antes da secagem com o primeiro pico na lactação seguinte (COOK et al., 2002).
A utilização de aditivos Simbióticos, Selênio e Vitamina E na alimentação de vacas no período seco contribui para a redução nos casos de mastite, aumentando a imunidade do animal; melhor absorção dos nutrientes da dieta; redução dos problemas metabólicos resultantes da alteração de alimentação; redução no uso de antibióticos para tratamento de mastite; redução dos problemas decorrentes do estresse ao parto.
Portanto uma das melhores maneiras de melhorarmos o quadro da produção leiteira atual é a adoção correta das técnicas alimentares e de manejo específicas para cada fase do processo produtivo, atentando para as vacas secas, que na maioria das vezes são esquecidas pelos produtores, pois, por elas não estarem lactantes, não contribuem para o aumento a curto prazo do lucro líquido da propriedade, mas é importante para o lucro a médio prazo, compensado na próxima lactação.
Referências de Literatura
COOK, N.B.; T.B BENNET; K.M. EMERY; K.V NORDLUND. 2002. Monitoringnonlacting cow intramamary infection dynamics using DHI somatic cell count data. J.Dairy Sci., 85:1119-1126.
GESTEIRA, S. Vacas leiteiras precisam de período seco. 2011. Disponível em: < HYPERLINK “http://www.diadecampo.com.br/zpublisher/materias/Materia.asp?secao=Pacotes%20Tecnol%F3gicos&id=25034” http://www.diadecampo.com.br/zpublisher/materias/Materia.asp?secao=Pacotes%20Tecnol%F3gicos&id=25034> Acesso em jan 2012.
SANTOS, G.T.; CAVALIERI, F.L.B.; DAMASCENO, J.C. Manejo da vaca leiteira no período transição e início da lactação. Maringá, PR. [2012]?. Disponível em: < HYPERLINK “http://www.nupel.uem.br/pos-ppz/vacas-08-03.pdf” http://www.nupel.uem.br/pos-ppz/vacas-08-03.pdf> Acesso em jan 2012.
SOARES FILHO, C.V. Manejo de bovinos leiteiros adultos. Araçatuba, SP. Disponível em: < HYPERLINK “http://people.ufpr.br/~freitasjaf/artigos/manejogeral.pdf” http://people.ufpr.br/~freitasjaf/artigos/manejogeral.pdf> Acesso em jan 2012.
Zootecnista – Universidade Estadual de Londrina. Auxiliar técninca na Empresa Biosan Biotecnologia em saúde aninal.